31 March 2010

Fueling the Spectacle, the Eike Batista way

Class One World Powerboat Championship, Rio de Janeiro, 26-28 March, 2010

Given my experience doing a consecutive translation for David Harvey at the Urban Social Forum last week, I thought I’d try my hand a written consecutive translation. Apologies for errors in both languages.

Porque tive a experiência de fazer uma tradução consecutivo pelo David Harvey no Fórum Social Urbano a semana passada, eu pensei em tentar fazer o mesmo com minhas próprias palavras. Desculpem os errores em ambos idiomas. 

This weekend Rio de Janeiro hosted the first race of the 2010 Class-1 World Powerboat Championship at the Marina da Gloria, which I can see from my apartment window. Early Saturday morning, I was jolted awake by the screaming engines of the boats and three helicopters circling overhead filming the scene. I had watched some of the time trials via binoculars the previous day and was almost numbed by the obvious: Class One powerboat racing is a sport for the rich, practiced by the rich, in order to stay that way.

Esse fim de semana o Rio de Janeiro cedeu a primeira carreira da temporada 2010 de Class-1 World Powerboat Championship na Marina da Gloria, a qual posso ver da janela de meu apartamento. Sábado pela amanha os gritos dos barcos me davam solavancos enquanto três helicópteros sobrevoavam filmando a cena. Eu tinha visto alguns das corridas preliminares na sexta-feira, e eu me quase senti entorpecido pelo óbvio – Classe One é um esporte pelos ricos, praticado pelos ricos, para permanecer rico.

But I figured that it couldn’t be that obvious, so I hustled down to Flamengo Beach to see what was going on. To my surprise, there were thousands of people lining the water’s edge watching the boats scream past. Truth is, it was pretty cool, because these boats are hitting 250 km an hour and were flying past the beach with a power that you could feel inside your chest. It was also free although the public space of the beach was occupied with huge television installations and a sound system that would make Axle Rose cry for mercy.

Mas eu achava que o evento não pode ser tão óbvio, porém eu corri até a Praia do Flamengo para ver o que estava acontecendo. Me causou sopresa ver miles de pessoas em pé à beira-mar olhando os barcos passando as pressas. A verdade é que foi bacana, porque esses barcos estão picando 250 km por horas e estavam voando pertinho a praia com um poder mecânico que podia sentir no seu peito. Também, era de graça, mais o espaço público da praia estava ocupado com duas telas imensas e um sistema de som que faria Axle Rose chorar pelo tiro de misericórdia.

This is what the production of a hollow spectacle is all about, however. The only way to react to the incredible power and world-class elegance of a boat flying across the waves is to shake your head and think – wouldn’t it be cool to go for a ride? There’s no point in cheering for one boat to go faster than another. There is no mechanism for active participation, even the sound system takes away your ability to converse (the same as stadiums in the USA). It’s impossible to have deeply-felt team allegiances. The clarion call of consumption creates capitalistic cravings that co-opt collective capacity. The race has winners, of course, but do the losers really lose that much? How does this international boat racing work anyway? Who are these people and what were they doing in Rio? I went inside to find out.

Ao final, essa é a esséncia do produção de um espectáculo vazio. A única maneira reagir ao poder incriível e elegancia de classe mundial de um barco voando acima das ondas é balançar a cabeça e pensar – não seria legal pegar corona nele? Não faz sentido nenhum torcer por um barco ir mais rápido que um outro. Não existe mechanismo por participação ativo, o sistema de som tira sua capacidade conversar (o mesmo acontece nos estádios dos EUA). É impossível ter paixão profundo por um time. A chamada clarim de consumismo crea uma cobiça capitalistica que co-optam capacidade coletiva. A carreira tem um ganhador, por su posto, mas que perdem os perdedores? Como funciona esse sistema de carreiras de barcos internacoinal: Quem são essas pessoas e que estão fazendo no Rio? Eu fui adentro para ver.

Entering a marina to watch a powerboat competition one expects to see the most recent manifestations of the consumerist dreams of the upper-middle class. And there they were: a Japanese fusion restaurant, Polo store, H. Stern, boats, flat screen tvs, down tempo electronica, wide spaces, shopping mall ambience. The major surprise was to see Smart Cars on display and not SUVs. But the smart cars were just so cute that parents stuck their kids in the drivers seat and took pictures of them. Create the desire early, valorize those desires, and then capitalize later! Consumption is the only activity that makes sense and it’s so cute!

Entrando numa Marina para ver uma carreira de barcos de alta velocidade a gente antecipa encontrar com as manifestações mais recentes dos sonhos consumistas da classe meia-alta. E aí estavam: um restaurante japonês, Polo, H. Stern, barcos, telas de plasma, musica electrônica, espaços abertos, ambiente de um shpping. A maior sopresa foi ver Smart Cars e não SUVs. Mas os carros eram tão fofinhos que os pais não podiam resistir botar as crianças adentro e tirar fotos. Crea os desejos bem cedo, valorize-os , e capitalize depois! Consumir é a unica atividade que faz sentido e é tão fofoca!

There was some interesting information on hand that revealed the geography of powerboat racing. Between 1992-2009 these countries had representatives in the powerboating championships: Norway, Italy, France, Spain, Germany, Switzerland, San Marino, Britain, Australia, New Zealand, United Arab Emirates, Saudi Arabia, Qatar, Brasil, USA, Cuba (what the?). I’m not sure what this means but when Arabian royalty meet Euro-American capitalists there’s usually some kind of geo-political shitestorm going on.

Tinham informação que revelou a geografia de Class Um. Entre 1992-2009 os seguintes países tinham representantes nos campeonatos: Noruega, Itália, França, Espanha, Alemanha, Suíça, São Marino, Grã Bretanha, Austrália, Nova Zelândia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Qatar, Brasil, EUA, Cuba (o que?). não tenho certeza o que significa mas quando os reis e principes de Arábia se encontram com capitalistas Euro-Americanos, normalmente tem algum furacão de tipo de confusão geopolítico.

The catalog also showed an interesting geography of powerboat racing, the logics of which I will get to in a moment.

O catalogo do campeonato também mostrou uma geografia interesante de Classe Um, as lógicas de qual tratarei num momento.

The boats were on display in the dry dock so that spectators could watch the mechanics making last minute alterations. Each boat was on a huge trailer that was part of the team equipment. Looking at the places of origin of each of the teams, it’s clear that getting the seven boats to Rio was a huge logistical undertaking. The boats are nearly identical in weight, 4,800 kg, have two 900 hp engines, reach speeds of 130 knots, can hold 900 liters of fuel, and are between 12 and 13 meters in length. These are very sleek, very impressive machines. The gasoline consumption is also impressive – somewhere between 12-15 liters per minute, allowing a maximum excursion of an hour and fifteen minutes – but that will get you 250 km away!

Os barcos estavam nas docas secas para gente ver os mecânicos fazer seus ajustes de ultimo minuto. Cada barco estava acima de um caminhão que foi parte de equipamento do time. Olhando os lugares de origem dos sete times, ficou bastante claro que a logística daquele evento é bastante complicado. Os barcos são quase idênticos em peso, 4,800 kg, tem dois motores de 900 hp, atingiam velocidades de 130 nós, podem conter até 900 litros de gasolina, e são de 12 até 13 metros de proa à popa. Esse são maquinas lisas e super impresionantes. O consumo de gasolina também é impressionante – entre 12 -15 litros por minuto, dando um excursão máximo de uma hora e quinze minutos – mas esse te levará 250 km!

Why has the music at nearly every international event been reduced to the trite recycling of 1980s hits? I can handle the down-tempo electronica of a Japanese fusion restaurant, if only because it’s designed to fit into the background. But please, you people in charge of the empty spectacle, stop playing Billy Idol, Joan Jett, The Pretenders, The Cure, Depeche Mode and whatever sappy pop ballad U2 or Coldplay have recently regurgitated. You know that you are the target demographic of a place when you recognize the music and unwillingly start moving to it or start to sing “White Wedding”. It’s pure manipulation and in the context of this race, not even culturally pertinent. Why not play some bossa nova / samba / forró / rock nacional? Obviously, national music is not a mark of distinction in Brazil, Billy Idol is, and playing exclusively foreign music is a way of creating an air of cosmopolitanism, which feeds the spectacle.  

Porque a música de cada evento internacional tem sido reduzido ao reciclagem banal dos êxitos da década de 1980? Eu posso tolerar a eletrônica de um restaurante Japoneses fusão, porque está desenhado ficar nos fundos. Mas por favor, vocês encargados de espetáculo vazio, pare de tocar Billy Idol, Joan Jett, The Pretenders, The Cure, Depeche Mode, e qualquer emocionante balada que Coldplay ou U2 tinham regurgitado recentemente. Você sabe que está sendo o alvo demográfico de um lugar ou evento quando reconhece a música e começa se mover (contra sua própia vontade), ou começa cantar “White Wedding”. É manipulação pura e no contexto dessa carreira nem caiu no contexto cultural. Porque não toca algo de bossa nova, samba, forró, rock nacional? Obviamente, musica nacional não é uma marca de distinção no Brasil, Billy Idol é, e tocando exclusivamente musica estrangeira é uma maneira desenvolver um ambiente cosmopolita, o qual sustenta o espetáculo.

The press room was busy and I was clearly not in the normal circuit of people reporting results for popular consumption, received some strange looks, and went out to get some more information. Some of the teams had trailers that served as a logistical base camp, serving food, providing some shade and functioning as communications centers. Out of luck or instinct, I walked to the Victory Team encampment and entered into a conversation with Gianfranco Venturelli, the Italian manager of both the reigning world champions and runners-up, and President of the Association of Class One Powerboat Racing Teams. He was very gracious and accomodating. What follows is a rapid summary of our interview.

A sala de imprensa estava lotado e eu claramente não caia no circuito normal de gente reportando os resultados para ser consumidos na grande media, recebei uns olhares estranhos e sai em busca de mais informação. Alguns dos times tinham caminhões que serviam como campos logísticos, dando comida so time e funcionando como centros de comunicação. De sorte ou instinto, caminhei até o território do Victory Team e entrei numa conversa com Gianfranco Ventureli, o técnico Italiano do time campeão reinante e o time vice-campeão, também ele é o atual presidente da Associação de Times de Class One Powerboat Racing. Ele me estendeu muito cortesia e me acomodou com paciência. Ao seguir é um sumario rápido de nossa conversa (só inglês). 

"The boats were the least expensive elements of the Class One team costs, comprising less than 5% of the overall budget and that they were significantly less expensive than the 100 million Euros of a typical Forumula One car. The major difficulties for the teams are the logistics and for this reason the geography of Class One is relatively limited. Each of the seven teams brought at least 30 people to Rio. They all had at least two trailers in addition to their boats. They make their own boats in Dubai, and have 14 nationalities in the team. Team engineers are all “western” and they train Indian, Filipino, and Paquistani mechanics. There are 70 people on the team. The team is responsible for brining fame of Dubai around the world. Logistical concerns make it is difficult to have a world-wide competition. They had to charter a boat from Dubai to Rio and then from Rio to Italy. Looking at two other venues in Latin America to make the trip more viable economically...Class One is also in discussions with China and Australia to have races there. The organizers pay a fee for each team to bring boats, at more than 1000km of distance the local promoter must compensate x-euros por km. “The team is the key to any kind of result, if you have a good team, open listening to each other, pulling in one direction, you will be successful, this is for formula one, football, any kind of entity, success is to build the team, then you need the funding to build the best program that you can, money is not everything, the team is fundamental, there is no difference, the concept must be the same” The reality is that some teams are dependent upon winning to remain in the circuit If they are not successful it is a big problem. But perhaps less for our team [because it is sponsored by the government of Dubai], but it is still important to win. The economy is affecting everybody...our goal is to have ten boats in the competition, right now we have 8, but only 7 participated in Rio. The Brasilians did a great, great, great job of organizing. We have a ten year contract for this race in Rio de Janeiro."

The person responsible for bringing Class One racing to Rio is Eike Batista, the wealthiest man in Brasil (click here for his interview with Charlie Rose). Batista was the central feature of the glossy event magazine, and his Pink Fleet tour boats occupied the first page of the “sights to see” section of the March/April 2010 Rio Guide (conincidence?). That a man with tens of billions of dollars at his disposal and a taste for high adrenaline sports is able to bring Class One racing to the Marina da Gloria is not surprising or bad or good. But given Batista’s claim that “he wants to make Brasil better”, we should ask if Class One Racing is helping to accomplish that.

A pessoa que trouxe Class One ao Rio é Eike Batista, o homem mais rico do Brasil (faz click para ver seu entrevista com o jornalista Americana Charlie Rose). Batista ocupou o parte principal da revista do evento e seus barcos de Pink Fleet ocupavam a primeira pagina de secção “Passeios” na Guia do Rio Março/Abril 2010 (coincidência?).  Que um homem com dezenas de bilhões de dólares e um gosto por esportes de alta adrenalina pode trazer Class One à Marina da Gloria não é surpreendente nem bem nem mal. Mas, dado que ele disse que “quero deixar um Brasil melhor pelos meus filhos”, deveríamos perguntar se Classe One está funcionando alcançar essa meta.

Much as the Victory Team is charged with marketing the ‘brand” of Dubai, Class One racing is intended to market Rio to international capital. This is part of a larger process that cannot be separated from the installation of walls along the highways, the occupation of favelas with shock troops (UPPs), the rezoning of the city to make way for condo development (PEU Vargens), the massive investments in stadium and transportation infrastructure, the World Cup, the Olympics, etc. The production of spectacles like Class One draw media and public attention to events that have no cultural context, that transform public space into zones for the accumulation of capital and encourage the passive consumption of events that once completed disappear into the ether (reminding us of Berman’s famous phrase). Of course, it’s interesting and unique and spectacular and ‘cool’, but within the larger political, social, and economic contexts of Rio de Janeiro and Brasil, it is contributing to processes that are (in my opinion) going to further polarize the city long socio-economic lines, privatize public space, limit public engagement with the production of culture (leaving it in the hands of ‘professionals’), use public funds to stimulate private profit, and create a city that can only be consumed, not engaged, created, and lived.

Como o Victory Team está encargado com a missão de “brand marketing” pelos sheiks de Dubai, a intenção de Class One é colocar o Rio no vitrina de capital global. Esse é parte de um processo maior que não pode ser deslocado dos outros processos como da instalação de muros nas linhas de transporte, ocupação das favelas com UPPs, o rezoneamento da cidade para o especulação imobiliário, investimentos maciços em estádios e infra-estrutura de transporte, o Mundial, a Olimpíada, etc. A produção dos espetáculos como Class One atraem atenção mediato e público aos eventos que não tem um contexto cultural onde caber, que transformam espaço público em zonas pela acumulação de capital e estimulam o consumo passivo de eventos que uma vez completados desaparecem no éter (lembrando nos de frase famoso de Berman). Sem dúvida, o evento é interessante, único, espetacular e “cool”, mas adentro dos contextos políticos, econômicos, e sociais do Rio de Janeiro, na minha opinião, o evento contribui aos processos que vão aumentar a polarização da cidade em linhas socioeconômicas, privatizar espaço público, limitar a capacidade do povo de produzir sua própia cultura deixando esse produção nas mãos das chamadas profissionais, utilizar o bolso público para estimular lucro privado, e construir uma cidade que só pode ser consumido e não empenhado, criado, e vivido.

The above list of changes is what I think Batista was referring to in his interview with Charlie Rose as a process of “exorcising the left” (minutes 21 – 23). Lula, Batista suggests, was only successful because he understood relatively early in his term that it is better to “let entrepreneurs run the country” and that populist governments are the root of problems in Latin American governments (calling Argentina a “Rolls Royce driven by an Egyptian chauffeur”). There can be no doubt that social movements have suffered under Lula and that the neo-liberal project in Brasil is moving as quickly, consuming as many resources, and leaving as little in its wake as Class One Powerboat Racing.

Na sua entrevista com Charlie Rose, a lista de mudança mencionadas acima é que acho Eike queria dizer quando ele falava sobre o processo de ‘exorcizando a esquerda’ (minutos 21-23). Lula, surgiu Batista, só tenha tido tanto êxito porque ele entendeu bem cedo no seu mandato que é melhor “deixar os capitalistas dirigir o pais” e que os “governos populares.” Eike disse que Morales, Chaves e Kirchner estão sendo os raízes dos problemas da América Latina (chamando Argentina “um carro de Rolls Royce dirigido por um condutor Egipciano”). Não pode restar nenhuma dúvida que os movimentos sociais tinham sofrido muito sob Lula e que o projeto neo-liberal no Brasil está movendo-se tão rápido, consumindo tantos recursos, e deixando tão pouco na sua esteira como Class One Powerboat Racing.


Hill said...

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